“A cada um é dado a manifestação do Espírito em vista do bem comum” (1 Cor 12, 7)

Festa de Pentecostes
(At 2, 1-11, Sl 102; 1 Cor 12,3b-7.12; Ev Jo 20, 19-23)

O Espírito Santo é fonte e força de amor mútuo. É também sinal que estamos vivendo um tempo novo. Jesus concluiu o se caminho aqui entre nós, mas não nos deixou sozinhos: enviou-nos o mesmo Espírito que o ungiu e o fortaleceu na missão. O apóstolo Paulo lembra aos filipenses que: “tenham entre vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fil 2, 5).
Celebrar a solenidade de Pentecostes é um convite que a Igreja nos faz, de cultivar entre nós, estes mesmos sentimentos do Senhor Jesus. É se deixar animar por aquele Santo Espírito que animou a a sua missão, aquele mesmo amor que une o Pai e o Filho e do qual participamos: “ O meu mandamento é este, que vos amei uns aos outros assim como eu vos amei” (Jo 15, 9).
Na aldeia global em que vivemos a antiga festa de pentecostes se torna urgente. Pentecostes celebra, sabemos a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja, na antiguidade judaica, os primeiros frutos das colheitas oferecidas no templo ao Senhor, recorda-nos com isso um caráter de amizade e comunhão.
Há 20 ou 25 anos atrás esperava-se muito da chamada globalização: Se acreditava, tinha-se fé que com o fim das fronteiras territoriais, muitas periferias existências viriam a ser superadas. Essa esperança aumentou com o advento da internet, e com a facilidade ao acesso de comunicação entre as pessoas que ela propiciou: surgimento das redes sociais, dos chats de comunicação, enfim, o mundo se tornou muito próximo, se tornou uma “aldeia” de comunicantes, mas por pesar, as antigas questões fundamentais que tocam o homem de nosso tempo, se tornaram ainda mais distantes: as periferias existências aumentaram, as sociais se amontoaram, nos tornamos comunicantes com o mundo inteiro, e, no entanto, temos a sensação que cada vez menos estamos nos compreendendo e acolhendo. Neste sentido pentecostes se torna urgente!

Pentecostes é festa do Espirito Santo, é nascimento da Igreja, mas é também uma oportunidade que a liturgia nos oferece para nos entendermos melhor, nos acolhermos com os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (Fil,2,5), com mais fraternidade, solidariedade e caridade.
Na primeira leitura, o livro dos Atos dos Apóstolos, narra o evento pentecostes, reunindo os discípulos no cenáculo: Enquanto oravam veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiam sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas conforme o Espírito os inspirava (At 2, 4-5). Ainda no mesmo texto, são Lucas, descreve a presença de todas as nações conhecidas na antiguidade e que se faziam presentes em Jerusalém naquele momento. Os povos citados são sinais de línguas diferentes. Nações diversas, culturas antagônicas, mas que naquele momento, passaram a se entender e compreender: “todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua” (At 2, 11); as línguas dos céus que descem e repousam sobre os discípulos, torna o mundo conhecido, reforça a unidade nas diferenças culturais e étnicas, constrói pontes entre os povos e não muros que queiram “separar” fronteiras existências e sociais.
Mas se pentecostes é urgentíssimo para o mundo global, no espaço eclesial e comunitário, é mais urgente e necessário ainda! Ha muitas línguas em nossas comunidades. Muita criatividade e às vezes muita gente que, ainda que fale a mesma língua confessional, litúrgica, comungue da mesma fé “Una, Santa, Católica e Apostólica”, esteja nos primeiros frontões de defesa da fé frente aos eminentes perigos da modernidade, parece não falar a mesma língua de irmãos da própria comunidade eclesial. O que percebemos às vezes nas macro-relações, são consequências de experiências mal resolvidas entre nós, que acontece lá na aldeia, com quem passa ao meu lado, na pequena comunidade, na família cristã, lá onde tudo deve começar. Ai também celebrar pentecostes é urgente.
A inspiração judaica é impressionante: Pentecostes era a festa das primícias, isto é, dos primeiros frutos, da primeira colheita: O primeiro fruto é a Igreja e sua primícia é a linguagem do amor, da unidade, da fraternidade: “Eu não rogo apenas por eles mas também por aqueles que me deste, para que sejam um Pai, como tu ó Pai estas em mim e Eu em ti (…) para que o mundo creia que tu me enviastes” (Jo 17, 21); “e todos os que acreditavam estavam juntos, e tinham tudo em comum (…) louvavam a Deus e eram estimados pelo povo e a cada dia o Senhor acrescentava à Igreja àqueles que havia de salvar” (At 2, 42.47).

O evangelho deste final de semana quem sabe nos oferece um “remédio salutar” para estes nossos insistentes pecados que ferem aquele primeiro fruto que a comunidade cristã é chamada a apresentar ao Senhor em pentecostes: O Pentecostes em João, mais brando do que a narrativa de Atos dos Apóstolos se fundamenta em duas realidades: a) O Cristo traído e morto na Cruz, se manifesta ao discípulos não com “instinto” de vingança, de cobrança. Mas oferece duas palavras densas de teologia espiritual: a Paz esteja convosco e dom do perdão: “ a quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados” (Jo 20, 23). b) Novo homem re-criado em Cristo: “ como o Pai me enviou, também eu vos envio e depois disso, soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22).
O pentecostes brando joanino, com menos ruídos e os vendavais lucanos, em vez de, transformar as estruturas exteriores (que também claro necessitam de mudanças), revoluciona por dentro, o coração e a mente dos apóstolos de Jesus.
Deixemos neste final de semana o Senhor Jesus soprar em nós também: Em nossas narinas em nosso coração, tire o pó do homem velho, com as velhas mentalidades de ódio, vingança, ausência de perdão que gera comunicação interrompida, para que renascidos no Espírito vivamos como ensina a sequencia do Espírito Santo na liturgia de hoje: “ sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem a nele; Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente, Dobrai o que é duro, guiai no escuro o frio aquecei” (Sequência de Pentecostes) ..

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“Sair de si é elevar-se!!

Festa da Ascensão do Senhor
(At 1, 1-14; Sl 46; Ef 1, 17-23, Mc 16, 15-20)

“Sair de si é elevar-se!

Com alegria celebramos neste final de semana a festa da Ascensão do Senhor, o mistério de sua elevação aos céus e de certa forma a concretização de mais um artigo de nossa fé que recordamos todos os domingos “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”.
No entanto, sabemos que esta solenidade sempre causou na mentalidade popular um sentimento de despedida, de partida de abandono de Jesus da realidade humana, para uma realidade superior, do qual participaremos sempre com algum decréscimo ou então, impossibilitados de fruir de toda sua plenitude. É o mesmo sentimento que nos salta os olhos quando tomamos o texto proposto para a primeira leitura de domingo por ex: “homens da galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu” (At 1, 11). Ao mesmo tempo que este versículo parece “anestesiar” o leitor, criando um clima de nostalgia, como quando alguém vê seu grande amigo partir em viagem e permanece “de um outr lado” contemplando ao longe sua despedida, ele também, pode ser muito provocativo e até mesmo desinstalador. Não há nada de nostálgico na elevação de Cristo aos céus. Os autores sagrados não tinham nenhuma intenção de romantizar um mistério cristológico. Ele na verdade é um convite a também subirmos com ele. Para isso não basta apenas uma atitude passiva do tipo: “os apóstolos continuavam olhando para o céu” (10) e sim, ativa: “por que ficais parados” (11), isto é, não sonegar de forma alguma a dimensão contemplativa da vida, mas perceber que esta não deve jamais nos alienar, nos deixar parados, olhando apenas para o alto, enquanto ao nosso lado, continuam a se apresentar realidades profundamente rebaixadas que precisam a partir de nosso testemunho elevar-se.

A carta aos Efésios na segunda leitura desta liturgia contribui ainda mais para que não vivamos uma ascensão de forma passiva: “ (…) bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo mas ainda no mundo futuro. Sim Ele pôs tudo a seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja que é seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal” (Ef 1, 22-23). O apóstolo Paulo nos ajuda a evitar que as estruturas negativas que o mundo oferece possam nos intimidar na proclamação do Reino. Sabemos sim das forças opostas à boa nova de Cristo, sabemos do pecado, das injustiças, da ausência da paz, das estruturas tão desumanizadoras encontradas em nossos tempos e o quanto estas aparecem poderosas diante de nós, no entanto, Paulo recorda em sua epístola que Cristo ressuscitado esta “bem acima de toda autoridade, poder, potência, ou qualquer título que se possa mencionar não só neste mundo” (21); vale recordar a afirmação joanina presente também no discurso de despedida de Jesus: “ No mundo tereis aflições, coragem eu venci o mundo” (Jo 16, 23).

A coragem diante das estruturas “mundanas”, em nada deve ser comparada com qualquer atitude irresponsável ou impulsiva. A boa evangelização começa reconhecendo o chão onde estamos pisando, a cultura onde estamos inseridos, as sementes do reino presente nesta cultura, os valores e claro, as realidades obscuras, rebaixadas e que precisam com nosso testemunho serem assumidas e elevadas. Para isso não basta apenas olhar pra cima, e permanecer de braços cruzados esperando que o Senhor volte e resolva as coisas por nós aqui embaixo: “ Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “ Senhor é agora que vais restaurar o Reino de Deus? Jesus respondeu: ‘ não vos cabe saber os tempos e os momentos (…) mas recebereis o Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, até os confins da terra” (At 1, 6-8)
Eis a resposta. Aqui está a chave da desacomodação. Aqui encontra-se o segredo de nossa elevação com Cristo: “recebereis o Espírito Santo que descerá sobre vós” (7). Não precisamos ficar olhando para cima, Ele desce sobre nós. É a sua força que vêm sobre nós. É esta “dynamis”, que nos torna capazes de enfrentar e elevar as estruturas do mundo. Mas não podemos permanecer paralisados.
O evangelho deste final de semana, os discípulos são enviados em missão pelo Ressuscitado: “ Ide por todo o mundo e anunciai o evangelho a toda a criatura” (Mc 16, 15). A subida se confunde com a saída em missão dos discípulos. A partir do envio de Cristo aos discípulos é que se realizam os sinais: “ expulsam demônios, falaram novas línguas, se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno não lhes fará mal algum, quando impuserem as mãos sobre os doentes eles ficaram curados” (Mc 16, 18).
Sair, desacomodar-se é subir é elevar-se! Saindo de nós mesmos, de nossos círculos fechados e confiando na ação do Espírito que colaboramos com a elevação as realidades temporais, tão necessitadas de nossa adesão! Saia, testemunhe, eleve-se!

 

IV Domingo da Páscoa

(At 4,8-12 ; 1Jo 3, 1-2; 10, 11-18)

O poeta Vinícius de Moraes compôs uma bela obra endereçada às crianças. Para além de sua consagrada carreira musical, “Vini” ou o “poetinha”, como era conhecido no círculo boêmio de amigos, resolveu dedicar parte de seu imenso talento poético também aos mais pequeninos. Fez uma belíssima canção chamada: “A porta”. Em um dos versos, o autor lembra que a porta é capaz de “fechar tudo no mundo, mas viver aberta no céu”! A canção de Vinícius recorda-nos que existem realidades que precisam ser fechadas em nós. Como uma porta, não devemos permitir que invada a nossa vida, o pecado, o egoísmo, a ganância, a violência, a falta de fé e esperança, a impureza, etc. A canção sobre a “porta” ensina-nos também que existem situações abertas ou mal resolvidas que precisam um dia serem fechadas, curadas, como uma cicatriz que é sinal de que as antigas feridas, que já nos machucaram durante tanto tempo, fecharam e restou apenas uma mera lembrança, não mais incômoda como o ranger de uma porta, aquela antiga dor enfim se fechou. Mas o que a “poesia” de Vinícius, mais queria, nos advertir, é que jamais sejamos pessoas fechadas em si mesmo. Uma porta fechada, deixa de ser porta. Perde sua “missão”, que é abrir para que circule através dela a Vida, o ár, o movimento das pessoas. Uma porta sempre fechada torna-se em realidade um “muro”, uma “parede” fria e sem alma. Como diz a canção “fechar tudo no mundo, (sim) mas viver aberta no céu”.
Neste IV domingo pascal celebramos a figura do “bom pastor” e com ela, um dia muito especial para toda a Igreja: Dia mundia de oração pelas vocações. Lembremos que orar é abrir portas de nossa alma e coração e humildemente permitir que Deus entre em nossa vida. Ele mesmo conduza nossa casa, nossa existência como um “bom Pastor”. Orar é abrir portas de nossa vida para que outros possam entrar, mas orar é também interceder. É pedir ao “Senhor da messe que mande mais operários para sua missão” (Mt 9, 38), mediar que o Espírito de Deus, visite corações já prontos como a messe para ser colhida, que se abram de par em par para o melhor da vida que é realizar-se humanamente a partir de um chamado amoroso feito por Deus.
Neste domingo Jesus se apresenta a partir de uma imagem importante para Israel. Ela têm sua pré-história, remonta os Salmos e os profetas, como por exemplo Ezequiel: “ Como o pastor busca seu rebanho, no dia em que está no meio de suas ovelhas dispersas, assim buscarei minhas ovelhas (…) em bons pastos e as conduzirei e nos altos montes de Israel será seu aprisco (…) eu mesmo apascentarei minhas ovelhas e as farei repousar diz o Senhor” (Ez 34, 14-15); ou no Salmo 22: “ Ele nos leva a descansar em verdes prados. Ele me leva a descansar junto da água. E preparas uma mesa para mim… a graça e a bondade hão de acompanhar-me durante toda a minha vida” (Sl 22, 2-5).
Ambos os relatos nos permitem imaginar uma personalidade amável e bondosa que perpassa a figura do Bom Pastor. Mas Jesus a aprofunda ainda mais. O evangelho deste final de semana afirma que as qualidades do pastor de Israel são levadas em Cristo Jesus a um ponto impensável ainda para os autores do Antigo Testamento. O bom pastor apresentado pelo evangelista João, é o único capaz de entregar sua própria vida pelas ovelhas. Não é bastante para Jesus, cuidar, apascentar, pastorear, conduzir a prados verdejantes, Ele entrega sua própria vida, para que outros a tenham em abundância: “ Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida por suas ovelhas” (Jo 10, 11-12).

O discurso feito por Jesus no Evangelho deste domingo fora feito diante do pórtico de Salomão no templo em Jerusalém. O pórtico era também uma “porta” de ingresso, onde passavam todos os peregrinos que subiam para as festas pascais e tinham acesso aos lugares mais santos do templo. O referido discurso, assim contextualmente situado, permite perceber uma bela alusão aos líderes religiosos daquele tempo. Eles acabavam tornando-se os “mercenários”, os que aos verem os perigos, abandonavam as ovelhas sob a ameaça dos predadores. Jesus, ao contrário, apresenta-se como o ‘bom pastor’, e por que não dizer também como o verdadeiro pórtico, como o único ingresso possível para o Pai, a verdadeira porta das ovelhas: “ todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não as seguem. Eu sou a porta, quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá e encontrará pastagens” (Jo 10, 8-10).
Jesus é o bom pastor, é a Porta diante dos pórticos. É a porta que nos ensina a fechar o ingresso de tantos mercenários que não se importam e não dão a vida para as ovelhas (Jo 10, 13). Quantas são as realidades dominadas pelo mal que insistem em entra em sua casa? Quanto roubo? Quantos mercenários que dispersam as ovelhas em nosso tempo, na fé, na política, nos governos? Quanto assalto de esperança, de fé, de caridade entram em nossa casa pela janela da TV, dos noticiários, do uso desequilibrado das redes sociais, da política atual e que por vezes é preciso que com coragem fechamos estas portas?
Mas Jesus é aquela “porta sempre aberta para o céu”, que o poeta ensinou. Para Ele devemos estar sempre abertos. Para o alto, para o Pai, como o Filho sempre esteve: “ No princípio era o Verbo. E o Verbo estava com Deus. E o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Desde a eternidade o Verbo esteve diante de Deus. A porta diante do verdadeiro pórtico da Salvação. Por ele que devemos entrar. É esta porta que devemos sempre abrir aos outros. Para que outros passem e encontrem vida e vida em abundância (Jo 10, 10).
O evangelho nos ensina também o discernimento da verdadeira porta e do verdadeiro pastor: “ Eu sou o bom pastor. Conheço minhas ovelhas e elas me conhecem assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai” (Jo 10, 14-15)!!

“ Festa da Epifania do Senhor, quando íntimo e infinito se tocam”

 

 

Solenidade da Epifania do Senhor

( Is 60, 1-6; Sl 71; Ef 3, 2-3; 5-6; Mt 2, 1-12)

Celebramos neste final de semana a solenidade da epifania do Senhor. Epifania significa a manifestação do Senhor a todas as nações e todas as gentes. É uma aparição que transcende o particularismo de Israel, mas toca e alcança a toda “Orbe”.  O salmo responsorial desta festa litúrgica expressa: “os reis de toda a terra hão de adorá-lo e todas as nações hão de servi-lo” (Sl 71, 3). Se na noite de Natal o sinal anunciado pelos anjos aos simples pastores era o de um menino encontrado na manjedoura envolto em faixas com sua mãe (Lc 2, 16); nesta liturgia, o sinal se amplia a todo a universo e se estende também a estes magos advindos do longíssimo oriente para também contemplar e adorar o menino Jesus: “ Quando entraram na casa, viram o menino com Maria sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram” (Mt 2, 11). A solenidade da Epifania do Senhor é um evento da Graça que supõe e aperfeiçoa a natureza: Pois partindo do particularismo de Israel alcança os confins do universo o mistério da salvação de Cristo:  “Esse mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos, apóstolos e profetas, os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do evangelho” (Ef 3, 5-6).

O Evangelho nos fala do grande itinerário espiritual feito pelos magos. Saídos do longínquo oriente chegam a Jerusalém com uma pergunta fundamental e ainda muito atual: “onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos sua estrela no oriente e viemos adora-lo” ( Mt 2, 2). Os magos eram homens sábios, estudiosos dos astros, das leis da natureza. E foram conduzidos à Jerusalém por meio disto, uma espécie de sabedoria antiga que unia ciência e religião. Não fora a lei ou as Escrituras que os haviam inspirado este caminho, mas a sabedoria. São Justino mártir (165 dC), no início do II séc; já havia intuído sabiamente as sementes do Verbo Divino dispersas nas culturas além de Israel. O prólogo do Evangelho de João descreve também esta realidade da presença cósmica do Verbo eterno na criação: “ No princípio era o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus e todas as coisas foram feitas por meio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida e a Vida era a Luz do homens” (Jo 1, 1-4). Fora esta Luz que era com Deus no princípio a conduzir os magos até Jerusalém. Esta luz que ilumina os homens que guiaram estes sábios até Jerusalém.

E fora esta mesma luz que é também um nome da Graça que não permitiu que as trevas de pecado, do egoísmo e da escuridão em que estava mergulhado o rei Herodes, ofuscasse aquela luz da estrela que continuo a conduzir os magos atém o encontro com a profecia de Miquéias: “ E tu Belém na Judéia, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel o meu povo” (Mt 2, 6).

Ao verem novamente a estrela os magos sentiram uma alegria muito grande (…) ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois ofereceram seus presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 10-11). Os magos guiados pelo infinito, pelos astros, pela sabedoria, foram levados ao íntimo, ao pequeno ao mais humilde. O Natal, a Epifania que ora celebramos une estas duas realidades que para muitos ainda é oposta, diametral, dialética e intocável. No entanto o mistério que hoje celebramos une o infinito com o íntimo, o eterno ao tempo a Graça e a Natureza presente no encontro dos magos que adoram a mãe e o menino na manjedoura de Belém.

O que têm nos guiado neste tempos de Natal? Como vamos conduzir nossa vida durante todo este 2018? Que estrela ou que luz nos guiará nestes tempos?

 

 

“ A Sagrada família de Nazaré propaga a cultura de esperança”

Solenidade da Sagrada Família.

( Eclo 3, 3-7.14-17; Sl 127; Col 3, 12-21; Lc 2, 22-40)

Celebramos neste final de semana a festa da Sagrada família de Nazaré e a liturgia da Igreja nos convida a ampliar nosso olhar sobre o significado do natal do Senhor até ao mistério que envolve sua santa família.

Os pais de Jesus participam inteiramente deste digno evento que neste tempo litúrgico celebramos. À ambos fora revelado pelos anjos que o menino que nascerá será santo e filho do altíssimo: “ O Espírito virá sobre ti, e o poder do altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso o menino que vai nascer será chamado, santo, Filho de Deus” (Lc 1, 35); e a José: “eis que em sonho, o anjo do Senhor que lhe disse: não temas receber Maria por esposa, pois o que nela está gerado, é do Espírito Santo” (Mt 1, 20).

O nascimento de Jesus Cristo realiza uma conexão jamais experimentada na humanidade. Em uma humanidade marcada por oposições, contradições, pecados, divisões que foram durante a história só aumentando o abismo que antes existia entre os homens e Deus, o mistério da encarnação a superou. O nascimento do Filho de Deus reestabeleceu este elo perdido fruto da desobediência dos nossos antigos pais e construiu uma ponte agora jamais destruída entre a realidade humana e a santidade Divina. Por isso ecoa neste santo tempo do Natal ainda mais fortemente dentro de nós e em todas as celebrações litúrgicas o texto do prólogo do Evangelho de são João que não só tratou de descrever que o “ No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e era Deus” (Jo 1, 1-3); mas convida-nos a coparticipar agora desta realidade divina quando afirma: “E o Verbo Divino se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14).

Na festa que hoje meditamos até que ponto fora estabelecido este antigo vinculo perdido tocando a realidade humana da família. Ao refletirmos sobre a Sagrada Família de Nazaré, voltamos nosso olhar a outros personagens que reconheceram no nascimento do Jesus o mistério do Filho de Deus.

Os primeiros são os próprios pais de Jesus: José e sua mãe Maria. Após o maravilhoso anuncio celeste acerca da real identidade de seu filho, parece que suas vidas retomam uma normalidade igual a de toda família nazarena. Como todos os casais hebreus no oitavo dia do parto do menino, fazem o usual itinerário e se dirigem talvez de Belém até Jerusalém para o rito de “purificação de sua mãe e de seu filho”. Por mais que o tão grande mistério possa ter envolvido o “parto virginal de Maria”, e com isso a preservando de toda e qualquer forma de perda: “ convinha que não lesasse a honra da mãe o que havia mandado honrar os pais” (Tomas de Aquino), ambos cumprem obedientemente a lei de purificação. Com isso o casal não somente torna-se cumpridor da lei mosaica, mas na associam-se no cumprimento do rito a toda humanidade que realiza ritos, costumes e guarda com profundo zelo o grande mistério que levam em seus braços. Não foram José e Maria ao templo para anunciar ou publicar a graça que lhes havia acontecido. Permaneceram eles também envolvidos no mesmo mistério que foram agraciados.

E será no templo de Jerusalém que surgiram as testemunhas tão humanas e desconcertantes do menino. A primeira delas será de Simeão. A palavra nos apresenta Simeão como um homem justo e piedoso e que esperava a consolação de Israel (Lc 2, 25). Além disto há um subtexto sobre este homem de Deus. Ele é sinal de esperança. É alguém que não se deixou jamais abater com a “espera”, com as demoras, com as contradições, os pecados as injustiças e os silêncios. Simeão é apesar de tudo um grande sinal a todos nós.

O Espírito Santo havia lhe inspirado que jamais deixaria esta vida sem antes “ver” com seus olhos a Salvação: “ movido pelo Espírito Santo, Simeão foi ao templo. Quando os pais trouxeram o menino ele o tomou nos seus braços e bendisse a Deus” (Lc 2, 27-28). O grande desejo deste homem fascinante, o projeto mais significativo de sua existência, o horizonte de sua vida é a síntese do tempo do Natal: Ver a Salvação. Penso comigo, como Simeão pode inspirar nossos sonhos e projetos de vida. Quais são eles? Onde estamos investindo nossa energia, nossos planos, nossa salvação?  Simeão aponta para o essencial: O Natal celebra a nossa Salvação. Celebra e revive que a Salvação entrou na história, ela se encarnou para que a pudéssemos “ver seu rosto, ouvir sua voz e testemunhar seus sinais entre nós.;

Há ainda uma outra tão desconcertante personagem como o velho Simeão: a profetiza Ana. Ela em sua alta idade demonstra que o tempo é relativo diante do Senhor. E que se faltam forças físicas para o encontro  e a caminhada, não lhe faltaram jamais energia espiritual para reconhecer o Cristo.  Há tantas Anas entre nós, espalhadas em nossas comunidades eclesiais com semelhante atitude de entrega. Ana representa aqueles que falam com sua vida: Só Deus basta, tudo mais é relativo. Tudo mais é efêmero e Ele é o único e essencial.

Esta solenidade da Sagrada Família de Nazaré recorda-nos que se os primeiros a anunciarem a vinda do Filho de Deus foram anjos (mensageiros do céu), os primeiros que o reconhecerem foram homens: José, Maria, Pastores, Simeão, Ana e mais tarde os magos. Esta liturgia que hoje celebramos quer reforçar em cada um de nós que o reconhecimento do Deus feito homem é e será sempre feito também por homens como nós. Homens e mulheres de fé que não perderam jamais a esperança de ver também a salvação.

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“Mudanças de planos não significam que Deus se ausentou de nossa vida, indicam na realidade que algo novo e melhor se torna mais próximo de nós”

IV Domingo do Tempo do Advento

( 2 Sm 7, 1-5; 8-12.16; Sl 88; Rm 16, 25-27; Lc 1, 26-38)

O IV domingo do advento se nos apresenta mudança e transformações na mensagem da liturgia da Palavra. Não é tão simples acolhê-las, nem as entender. Nem sempre as coordenadas de Deus em nossa vida correspondem aos nossos planos, construídos muitas vezes sobre castelos de areia e seguranças pessoais. A liturgia deste IV domingo do advento nos ensina que com Deus planos pessoais podem mudar, transformações são bem-vindas e o processo de conversão continua a iluminar sempre nosso horizonte.

A primeira leitura fala-nos do interessante diálogo entre Davi e Natã o profeta. O rei confidência as vitórias e conquistas adquiridas com o auxílio de Deus que: “ livrou-o de todos seus inimigos” (2 Sm 7,2), porém logo percebe que deve fazer algo pela “arca” de Deus: “ Vê, eu resido em um palácio de cedro, e a arca de Deus está alojada em uma tenda” (2 Sm 7, 2). O profeta o responde em um primeiro momento desta forma: “ Vai e faze tudo que diz teu coração, pois o Senhor está contigo” (2 Sm 7, 3), mas logo após o plano pessoal de Davi, em querer construir uma “casa para Deus” é refeito pelo próprio Senhor que fala ao coração do profeta: “ Mas naquela mesma noite, a palavra do Senhor foi dirigida ao profeta Natã nestes termos: “ Vai dizer ao meu servo Davi: ‘ Assim fala o Senhor: Por ventura és tu que me construirás uma casa para eu habitar? ” (2 Sm 7, 5).

A palavra de Deus revelada a Natã é sinal de algo que pode ocorrer também em nossa caminhada espiritual: Nós muitas vezes podemos correr no risco de ousar construir casas, torres, edifícios e seguranças para Deus habitar com as mais belas intenções; mas não devemos jamais perder de vista que é Ele mesmo aquele que constrói sua habitação em cada um de nós: “ Se o Senhor não construir a nossa casa, em vão trabalharão os que a edificam” (Sl 127, 1).

Antes de querer construir algo para que o Senhor venha e faça sua morada é preciso deixar-se ser reconstruído por ele.

No evangelho deste domingo encontramos o mais belo exemplo de casa e habitação para Deus. Ninguém jamais se permitiu construir por Deus como a mãe do Senhor. Haviam planos já determinados para ela, mas a partir da visita do anjo, sua jovem vida passa a uma grande transformação: “ No sexto mês o anjo Gabriel foi enviado a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento à José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria” (Lc 1, 26-27). A lei determinava que aqueles que eram da família de Davi, deveriam desposar-se com alguém de mesma linhagem. Por isso Maria estava prometida ao justo José. A visita do anjo Gabriel em alguma medida transformou estes planos, esta casa, está singela família nazarena.

A visita do anjo Gabriel a Maria é um grande diálogo entre Deus e a humanidade e entre convite feito por Deus e a generosidade e abertura humana em o acolher. E é também um sinal de que nossos planos pessoais são pequenos diante da grandiosidade que Deus reserva para todos nós.

Maria é este grande exemplo de abertura e acolhida. Mesmo que venha a manifestar dúvidas e incertezas, a mãe do Senhor confia e abandona-se ao Pai: “ Como acontecerá isso se não conheço homem algum? O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do altíssimo te cobrirá com sua sombra” (Lc 1, 34).

Neste IV domingo do advento mergulhamos todos no mistério da encarnação do Senhor. Jesus, nosso Salvador nasce de uma mulher. Da virgem que há muito Isaias já profetizará. O Salvador da humanidade nasce da humanidade pois não poderíamos participar integralmente deste mistério de salvação se Ele não tivesse se tornado como um de nós! Sabemos Jesus é do “alto” é do “céu” mas quis nascer a partir de baixo. Nasceu igual a nós, precisou de cuidados como qualquer um de nós, cresceu e amadureceu como nós crescemos e amadurecemos, mas todas essas coisas foram possíveis por que esta mulher, disse um “fiat”, um faça-se em mim segundo tua Palavra. (Lc 1, 38).

O Senhor veio ao mundo gerado no ventre de Maria e por obra do Espírito Santo, por que Maria, percebeu que seus planos pessoais não se equiparavam ao que Deus lhe havia chamado: “ Bem aventurada aquela que acreditou naquilo que o Senhor cumprirá tudo o que tiver revelado” (Lc 1, 45).

Maria é o grande sinal desta santa liturgia. Ela é sinal sempre atualíssimo. Vive-se hoje sob a hegemonia dos planos pessoais, dos “meus objetivos”, da garantia de um futuro seguro, e bem menos sob a possibilidade de abrir mão de algo bom, pelo melhor e: ser capaz de renunciar o ordinário por algo maior. Maria é este sinal em uma cultura tão desprovida de grandes gestos de sacrifício e oblação.

Que possamos com Ela dizer ou renovar nosso sim a Deus. O nosso fiat cotidiano de cada dia, que é o que nos põe em crescimento diante de Deus.

 

“João Batista nos ensina a melhor forma de prepararmo-nos para a acolhida do Senhor”

II Domingo do Advento

( Is 40, 1-5.9-11; Sl 84; 2 Pd 3, 9-14; Mc 1, 1-8)

No segundo domingo do advento a liturgia convida-nos a que nossa espera vá se concretizando sob a forma de “preparação”. Como uma família que aguarda a visita de amigos e familiares para as “festas do final do ano” e então prepara e arruma toda a casa, limpa, pinta, lixa paredes, apara arestas, o segundo domingo do advento tem esta característica: “preparar o caminho”.

Na liturgia da Palavra a figura emblemática que surge como um mensageiro orientando a preparação do caminho do Senhor é o profeta João Batista. Ele é aquela voz, que grita forte no deserto, que percebe que é chegada a hora, que o tempo é próximo e que a visita já se avizinha de todos. João Batista é dotado pelo Espírito de Deus deste discernimento que as vezes nos falta, que não devemos mais “titubear ou andarmos desatentos”, pois o Senhor em breve virá: “ Inicio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaias: ‘ Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas” (Mc 1, 1-3).

Nós um tanto descuidados como somos também precisamos de vozes que gritem aos nossos ouvidos e coração que os “amigos e parentes” estão chegando. Geralmente homens se revelam mais desatentos que as mulheres. Nem sempre percebem que a casa ou à frente da casa, o seu interior, precisam de reparos e alguns consertos. Por vezes necessitam que o “felling” feminino os ajudem a enxergar onde e quais os ambientes de uma residência que precisam de reparação. João Batista o protagonista “maior” (grande, magnum) desta liturgia, se fez conhecer para toda a Igreja como o sendo “minor minorum” (menor dos menores): “ Eu vos afirmo que dentre os nascidos de mulher não há um ser humano maior do que João. Todavia, o menor no Reino de Deus é maior do que ele” (Luc 7, 28), e é do próprio Cristo que ele recebe esta honra.

Uma afirmação desta saindo da boca de Cristo pode ecoar aos nossos ouvidos incompreensível. Mas creiam que neste momento Jesus Cristo elogiava tremendamente o batista. Não compreendemos mui facilmente por estarmos por demais habituados a um contexto narcisista na cultura onde o valor esta do lado do auto reconhecimento, da auto referencialidade, da projeção pessoal em demasia, das honras, glórias e luzes que nossa concepção de mundo pode oferecer.

O nosso João Batista (ao lado de Cristo o protagonista desta liturgia), não tinha ao que parece uma personalidade dócil e suave como o é geralmente a natureza feminina. A palavra de Deus sempre nos fez conhecê-lo e admirá-lo como um grande asceta. Um profeta que vivia no deserto e que possuía a força o poder e a coragem de Elias nas palavras: “ Sim que fostes ver no deserto? Um homem ricamente vestido? Os que se trajam ricamente estão nas casas dos reis. Mas então que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais do um profeta”. (Mt 11, 8). E é exatamente esta personalidade assim tão despojada, tão “pequena e apontando coisas tão grandes”, que mais nos ajudará a preparar nossa casa para a vinda do Senhor.

A melhor preparação para a vinda do Senhor é também reparação. A melhor forma de acolher e receber aquele que virá, na mais absoluta pobreza e simplicidade é apresentando uma casa humilde. É desta virtude essencial que a liturgia deste final de semana nos fala. É desta virtude que João Batista com sua própria vida nos chama a redescobrir neste advento e após Natal do Senhor: “E pregava dizendo; depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mt 1, 8).

Somente alguém muito integrado consigo e com o Senhor para se colocar desta forma: tão pequeno a ponto de não se sentir digno de desatar as sandálias do mestre. As sandálias eram símbolo de nobreza, dignidade e liberdade. Somente alguém realmente livre assim como João para ser capaz de tamanha renúncia.

Como estamos nos preparando para a vinda do Senhor? Como esta nossa casa para esta chegada? Como estamos interiormente para acolhida do Senhor que vêm? O profeta Isaías na primeira leitura como João Batista pode ser uma boa referência de espera: “Preparai o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas” (Is 40, 3-5). Eis aqui um belíssimo itinerário de vida: a tanta coisa que precisa ser aplainada em nós: raivas, mágoas e rancores; nivelem-se os vales: tantas realidades que precisam equilibrar-se, nivelar-se em nós e no mundo, na política e na justiça; rebaixem-se as colinas: ainda há tempo de aprendermos com João Batista o segredo do rebaixamento, da humildade e da austeridade de vida para a vinda do Senhor.