“ Festa da Epifania do Senhor, quando íntimo e infinito se tocam”

 

 

Solenidade da Epifania do Senhor

( Is 60, 1-6; Sl 71; Ef 3, 2-3; 5-6; Mt 2, 1-12)

Celebramos neste final de semana a solenidade da epifania do Senhor. Epifania significa a manifestação do Senhor a todas as nações e todas as gentes. É uma aparição que transcende o particularismo de Israel, mas toca e alcança a toda “Orbe”.  O salmo responsorial desta festa litúrgica expressa: “os reis de toda a terra hão de adorá-lo e todas as nações hão de servi-lo” (Sl 71, 3). Se na noite de Natal o sinal anunciado pelos anjos aos simples pastores era o de um menino encontrado na manjedoura envolto em faixas com sua mãe (Lc 2, 16); nesta liturgia, o sinal se amplia a todo a universo e se estende também a estes magos advindos do longíssimo oriente para também contemplar e adorar o menino Jesus: “ Quando entraram na casa, viram o menino com Maria sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram” (Mt 2, 11). A solenidade da Epifania do Senhor é um evento da Graça que supõe e aperfeiçoa a natureza: Pois partindo do particularismo de Israel alcança os confins do universo o mistério da salvação de Cristo:  “Esse mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos, apóstolos e profetas, os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do evangelho” (Ef 3, 5-6).

O Evangelho nos fala do grande itinerário espiritual feito pelos magos. Saídos do longínquo oriente chegam a Jerusalém com uma pergunta fundamental e ainda muito atual: “onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos sua estrela no oriente e viemos adora-lo” ( Mt 2, 2). Os magos eram homens sábios, estudiosos dos astros, das leis da natureza. E foram conduzidos à Jerusalém por meio disto, uma espécie de sabedoria antiga que unia ciência e religião. Não fora a lei ou as Escrituras que os haviam inspirado este caminho, mas a sabedoria. São Justino mártir (165 dC), no início do II séc; já havia intuído sabiamente as sementes do Verbo Divino dispersas nas culturas além de Israel. O prólogo do Evangelho de João descreve também esta realidade da presença cósmica do Verbo eterno na criação: “ No princípio era o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus e todas as coisas foram feitas por meio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida e a Vida era a Luz do homens” (Jo 1, 1-4). Fora esta Luz que era com Deus no princípio a conduzir os magos até Jerusalém. Esta luz que ilumina os homens que guiaram estes sábios até Jerusalém.

E fora esta mesma luz que é também um nome da Graça que não permitiu que as trevas de pecado, do egoísmo e da escuridão em que estava mergulhado o rei Herodes, ofuscasse aquela luz da estrela que continuo a conduzir os magos atém o encontro com a profecia de Miquéias: “ E tu Belém na Judéia, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel o meu povo” (Mt 2, 6).

Ao verem novamente a estrela os magos sentiram uma alegria muito grande (…) ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois ofereceram seus presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2, 10-11). Os magos guiados pelo infinito, pelos astros, pela sabedoria, foram levados ao íntimo, ao pequeno ao mais humilde. O Natal, a Epifania que ora celebramos une estas duas realidades que para muitos ainda é oposta, diametral, dialética e intocável. No entanto o mistério que hoje celebramos une o infinito com o íntimo, o eterno ao tempo a Graça e a Natureza presente no encontro dos magos que adoram a mãe e o menino na manjedoura de Belém.

O que têm nos guiado neste tempos de Natal? Como vamos conduzir nossa vida durante todo este 2018? Que estrela ou que luz nos guiará nestes tempos?

 

 

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