XI Domingo do Tempo Comum

(Ex 19, 2-6; Rm 5, 6-11; Mt 9,36-10, 8)

Existem muitas realidades que incidem na evangelização. Elas são fomentadoras de respostas que nós discípulos de Jesus Cristo somos chamados a dar. Nascem geralmente de um olhar sensível à realidade que cerca o discipulado e com certa urgência clama por nós inserção. O Papa Francisco tem sido um atual “porta voz” destes significativos clamores que circundam o agir da Igreja no mundo de hoje quando reiteradas vezes tem falado: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada, por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrara as próprias seguranças” (EG).

Na liturgia de hoje a Palavra de Deus percorre este desafiante itinerário pastoral: “O texto evangélico de hoje contém o primeiro envio missionário dos apóstolos com as instruções de Jesus para a missão evangelizadora que lhes é confiada. É a partir da perspectiva missionária que se definem a vocação e a identidade da comunidade eclesial no mundo dos homens, com a opção preferencial pelos pobres” (Nas fontes da palavra, Caballero, Basilio. p, 209).

Os primeiros versículos do evangelho deste final de semana apresenta-nos uma chave de leitura especialíssima para todo e qualquer evangelizador, seja ele, Padre, diácono, religioso (a), catequista enfim, qualquer servidor da vinha do Senhor: “vendo Jesus as multidões, compadeceu-se, porque estavam como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9, 36). Comecemos este rico versículo bíblico pelo verbo inicial. Jesus Cristo, “”. Talvez um primeiro sinal de sua evangelização. Ele , olha para além de si mesmo. Assim como no sermão da Montanha Ele vê, que existem “pobres, aflitos, puros de coração, mansos, perseguidos pelo Reino, promotores de paz, do qual a herança é o Reino dos céus” (Mt 5, 2 ss), Ele vê a realidade e a partir dela não se desespera, não se acomoda, não perde a esperança, mas a partir do “alto” começa a dar uma resposta.

Jesus enxerga algo que nós também vemos. Também percebemos que muitas vezes nosso povo anda abatido e errante sem a imagem do pastor. Pensemos no Brasil, lembremos daqueles a quem foram confiadas nossa esperança à coisa pública. Mas pensemos também na multidão de cristãos que anelam por ouvir e nutrir-se à mesa da Palavra do Senhor e que na falta de ministros que a anunciem muitas vezes permanecem cansados e abatidos: “e como ouvirão se não há quem pregue” (Rm 10, 14).

Jesus Nosso Senhor nos ensina primeiro “vendo”. O senso da realidade, dos desafios cotidianos de hoje não devem nos amedrontar. E depois a partir do alto, agindo: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos, Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para sua messe” (Mt 37-38). Surge a nossa meditação outro verbo importante para esta reflexão: “Pedi”. Diante do enorme desafio de uma grande colheita, do fruto já maduro e pronto para ser colhido, da urgência da colheita, surge a suplica aos céus. A petição, a suplica, o clamor ao Pai o “Senhor da messe”, não tem nada de fuga do real, dos problemas, mas diz muito sobre o essencial de qualquer evangelização. Ela a missão da Igreja no mundo é sempre ação do alto: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5), através é claro de seus ministros, discípulos (a) afinados com sua vontade.

A Palavra de Deus nos faz sérios questionamento neste final de semana: Como responder aos desafios da Evangelização em nossos tempos? Como suscitar mais operários para a missão do Senhor em nossos dias?

Sem querer perder tempo com especulações filosóficas ou sociológicas sobre nosso tempo, deixemos que a própria palavra de Deus nos ilumine. Ela mesma nos indica o caminho possível.  Em primeiro lugar aprendendo com o Senhor Jesus: “tende em vós os mesmo sentimento de Cristo Jesus, o qual sendo igual a Deus, esvaziou-se dessa condição e assumiu a condição de servo” (Fl 2, 5-6). Cristo Nosso Senhor sai de si mesmo. A Encarnação revela a profundidade desta sua saída. Sendo igual a Deus se fez servo. Como servo de Deus Ele vê e se compadece dos sofrimentos alheios. Nós como seus discípulos devemos viver em nossa espiritualidade estes mesmos sentimentos de Cristo: de Ver, sair e compadecer-se com o outro. Esta chave missionária na evangelização nos desloca dos medos, da acomodação, de sentirmo-nos como nas palavras do Papa Francisco como uma Igreja: “auto-referencial”, preocupada consigo mesmo, para sair em direção ao outro.

Outra forma de responder a questão se encontra também na palavra do Senhor. Está presente na suplica, na petição e no chamado. Diante da grande messe, o pedido: “Pedi ao Senhor da messe”. Isso somente é possível quando nós discípulos do Senhor reconhecermos que a messe não é nossa, no sentido de posse. Ela não é nossa posse, propriedade, não somos seus “donos” o protagonista primeiro de toda evangelização é o Senhor. Nós seus “enviados”: “pedi ao Senhor da messe que mande operários para sua messe” (Mt 9, 38). Apenas simples e humildes trabalhadores da vinha do Senhor. (Bento XVI).

Ainda um outro importante aspecto aparece neste texto: o chamado: “Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo o tipo de doença e enfermidade” (Mt 10,1).

A missão na messe do Senhor não é algo genérico. Ela é pessoal. Jesus identifica os seus discípulos, confere seu poder a eles e os chama pelo nome. Peçamos nós também ao Senhor da messe que tenhamos a sensibilidade de “ver” as necessidades do povo, dar respostas concretas e inspiradas para isso e convidar outros (a) para juntarem-se a esta bela missão.

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