“A festa da Trindade nos recorda que não estamos sós no início, não estamos sós no tempo e nem na Pátria celeste”!

Festa da Santíssima Trindade

(Ex 34, 4-8-9, Dn 3; 2 Cor 13, 11-13, Jo 3, 16-18)

Neste final de semana celebramos a festa da Santíssima Trindade. Com ela celebramos nossa origem e nossa fonte. Há muitas pessoas que buscam suas origens genealógicas. Com esta pesquisa procuram descobrir sua raiz inicial, querem saber a quem primeiro pertenceram, a quem descendem, a que nação, país, que língua falavam seus antepassados. Esta salutar busca sobre suas raízes, reveladora um desejo de conhecer os nossos princípios, de saber onde estamos ancorados, fundamentados, alicerçados.

Neste final de semana em que contemplamos o mistério divino da Trindade, a Igreja nos convoca a mergulhar novamente em nossas origens. Mergulhar sim pois a Trindade é uma eterna fonte na qual todos temos a vida, o movimento do ser. Pois nós somos também de sua raça (At 17, 28). A Trindade é nossa fonte primeira, nossa primeira raiz, a Ela todos descendemos e Nela nos movemos. Mas é também o nosso destino e no tempo a “barca” com a qual estamos realizando santamente nossa travessia rumo à eternidade.

O mistério da santíssima Trindade nos recorda algo importantíssimo sobre a natureza de Deus. Nele há uma plena e perfeita comunhão, uma família, formada por três pessoas que se amam eterna e reciprocamente. Isso nada têm de abstrato ou distante de nossas realidades, pelo contrário, é algo muito próximo de nós. O prólogo do Evangelho de João comunica esta notícia: “No princípio era o Verbo e o Verbo Deus. Ele estava no princípio com Deus (…) Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1, 1-3). Esta mesma informação que João dá sobre a intima comunhão do Verbo eterno no seio do Pai, se desdobra também a nós. Revela que no princípio, nas origens às vezes desejadas de nossos ancestrais, para reconhecer quem somos, encontramos no mistério da Trindade uma primeira resposta. No princípio, nas origens não estamos sós. Há um Deus comunhão por quem todas as coisas foram feitas e sem Ele nada do que existe se fez (Jo 1, 2), é quem está conosco. Isso significa que nos inícios, nas origens, fomos o fruto do amor de uma família divina.

Parece-nos ser interessante recordar que a família trinitária das origens, continua presente no tempo. Toma a nossa mão e faz o caminho conosco até a pátria definitiva. No mistério Trinitário começo e meio, isto é, eternidade e tempo se tocam. Não há um dualismo temporal, um antes distinto de um depois. Há na realidade com a encarnação do Verbo, o encontro definitivo do eterno com o tempo, de Deus com os homens e da participação plena desta divindade pois esta comunhão se revelou a nós: “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós. E vimos a sua glória, com a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e verdade” (Jo 1, 14).

É preciso fazer memória desta afirmação da fé cristã. Ela nada têm de especulativa, ou dos discursos teológicos inacessíveis à maioria do povo de Deus somente compreensível ao domínio teológico.  Antes de especular sobre a Trindade, deve-se recordar que Nela existe uma família, uma plena e perfeita comunhão. A imagem da família simboliza muitas coisas. Lembra lar, aconchego, segurança, referência, paternidade, filiação e por que não pensar na casa. Na travessia que a humanidade faz na história até o céu, muita gente tem se achado órfã de “pai”. Há muitos filhos e filhas de Deus que sentem fazer este itinerário na mais profunda solidão. Há muitos que imaginam um “deus” totalmente transcendente e inacessível ao mundo e por isso jamais poderão conceber a natureza paterna em Deus, caminham a sós, sem sentir-se seus filhos.

Para todos nós cristãos a solenidade da Trindade é de grande responsabilidade. Ela fala também que imagem de Deus estamos transmitindo com nossa pregação, nosso testemunho, nossas missas, nossos juízos, nossos extenuantes moralismos e juízos sobre outros. Será esta a imagem de um Deus amor, que os solitários tem sede de encontrar? “a minha alma tem sede de Deus. Somente Nele esta minha salvação” (Sl 62).

Na liturgia da Palavra deste final de semana nos apresenta a imagem de Deus comunhão e amor. O Evangelho começa assim: “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho unigênito, para que não morra todo o que Nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). João não apresenta um “deus” distante da realidade mundo, mas o “amando”. Um Deus paterno que “deu”, que “doa”, que “entrega” seu único Filho para “salvar” e não “condenar”. Nisso já concebemos qual a imagem de Deus que devemos anunciar. A primeira é de um Deus amor e após que foi revelando seu rosto sua identidade na doação de si mesmo no próprio Filho.

Viver o mistério trinitário é viver também uma espiritualidade trinitária. Os antigos teólogos afirmavam isso se usando de um paradigma teológico importante para a tradição: “a Trindade imanente é a mesma Trindade econômica e vice-versa”, isto quer dizer que, a Trindade nas origens e de nossas origens é a mesma que revelou-se a nós no tempo. E para nós a melhor e mais santa forma de conceber o mistério trinitário que é de um amor reciproco entre as pessoas divinas é vivendo também entre nós uma amor de reciprocidade e de doação!

Salve ó Santíssima Trindade!

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