“Jesus é o Bom Pastor e a porta das ovelhas. Que portas você tem aberto para que Ele entre e ceie contigo”.

IV Domingo do tempo Pascal

(At 2, 14. 36-40, Sl 22; Jo 10, 1-10)

Celebramos no IV domingo da páscoa a figura do Bom Pastor. Ela é imagem antiga na tradição de Israel e que Jesus assumiu também como sua. O Pastor em Israel lembrava o cuidado, o amparo, o amor pelo seu rebanho, a providência do alimento e a proteção contra os inimigos. Por isso é que esta significativa imagem bíblica se aplicou perfeitamente a Cristo.

Também no IV domingo celebramos o dia mundial de oração pelas vocações. A Igreja neste dia é novamente convidada a se fazer obediente ao apelo do mestre que roga a seus discípulos: “pedi pois ao Senhor da messe que envie operários para sua messe” (Mt 9, 38).

No evangelho deste domingo Jesus se utiliza de uma imagem muito singular. Se define como a “porta das ovelhas” (7). Ao se auto definir como a porta das ovelhas, Jesus está dizendo a seus discípulos que Ele é o ingresso por onde seus discípulos devem entrar, que Ele é o caminho por onde os seus amigos devem trilhar que é por Ele e somente por Ele que se abrem as possibilidades de nossa vida encontrar-se com a salvação.

A porta é uma imagem muito cara na antiguidade. Ela recorda a via de ingresso nas cidades, o acesso a cidadania tão importante para o homem do mundo antigo. Mas haviam “portas”, que podiam indicar também o ingresso a caminhos de vida equivocados. Haviam, como hoje portas que davam acesso a uma vida dissoluta no pecado, no fechamento total para a vida divina.

A imagem da porta é cara em nosso contexto também. Vivemos em um mundo onde encontramos portas abertas para o egoísmo, para a perdição, para o ingresso em um mundo de drogas, do crime, da corrupção política enfim. Infelizmente constatamos que para esses fins não existem trancas, chaves e limites. Tudo é um pouco permissível no nosso contexto e quando cogitamos em estabelecer alguns limites morais, estas “portas” são consideradas como antiquadas e démodés. Mas paradoxalmente há em nosso tempo muitas portas que se encontram trancadas. As portas de acolhida para os mais pobres, para os idosos de nossa sociedade; as portas do coração de nossos políticos e legisladores que deveriam abrir-se ao bem comum mas permanecem fechadas ao próximo e “escancaradas” para os interesses particulares; as portas do coração do homem moderno que cada vez mais se fecha “por dentro”, em um materialismo e individualismo que os têm levado a sentir-se cada vez mais órfão de si mesmo.

A imagem da porta é realmente muito presente também para todos nós. E é por isso que é tão bem vinda neste tempo pascal. Jesus abriu para todos nós uma grande porta: a porta de acesso ao Pai no alto da cruz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).

Hoje o convite que nos faz a liturgia do Bom Pastor é o de abrir por dentro de nós mesmos a porta do coração e deixar que Ele entre, sente e faça conosco a refeição: “entrou para ficar com eles. E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribui-o a eles. Então seus olhos se abrirão e reconheceram” (Lc 24, 30-31).

Quando nós pensamos na imagem do Bom Pastor e nos atributos que ela oferece logo vêm a nossa memória o cuidado e a amizade. O evangelho de João nos diz que: “O Bom Pastor conhece as minhas ovelhas e elas me conhecem, como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou a vida por minhas ovelhas” (Jo 10, 14-15). O texto revela que a relação que existe entre pastor ovelha é mediada pelo conhecimento. Aqui abre-se uma porta muito singular para a compreensão deste belo capítulo de João. O verbo conhecer no contexto bíblico não tem o mesmo sentido que no contexto moderno. Conhecer na Escritura não é apenas saber tecnicamente sobre alguma coisa. Conhecer é na verdade amar. O que se estabelece entre pastor e ovelha é mediado pelo amor que um tem pelo outro como o Pai tem pelo Filho. Por isso Jesus pode afirmar: “conheço minhas ovelhas (…) E eu dou a vida por minhas ovelhas” (Jo 10, 4.15) .

Com certeza temos muitas portas que precisam ser abertas em nossa vida. A porta do perdão, do amor ao próximo, da solidariedade, a porta à vida em abundância que promete o Senhor Jesus. Mas também existem, não sejamos ingênuos portas que necessitam ser para sempre fechadas em nós. As portas que têm te levado ao egoísmo, ao rancor, a um estilo de vida materialista e fechado em si… Feche sem medo estas portas e abra de par em par o coração para aquele que: “Eis que estou a porta e bato se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3, 20)

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