Festa da Epifania do Senhor

received_10211654630110756( Is 60, 1-6; Sl 71, Ef 3, 2-3ª. 5-6; Mt 2, 1-12)
Celebramos neste domingo a Epifania do Senhor. Como o nome diz a Epifania é a manifestação do Senhor Jesus à todas os povos. Passa-se da singeleza do nascimento de Cristo na manjedoura, onde as testemunhas eram anjos e simples pastores, para a visita e a adoração dos sábios advindos do oriente, conduzidos por uma estrela ao menino em Belém
Nos ambos relatos de Lc e Mt, ainda que com personagens diferentes, mantém-se o mesmo objetivo: O reconhecimento da realeza, divindade e humanidade do menino Jesus.
A imagem da estrela é muito importante a todos nós. Claro que situando-a dentro do contexto litúrgico, ela é o sinal visível de que o criado reverencia e presta culto ao seu Criador. Mas se quisermos olhar para este astro a partir de uma experiência existencial e espiritual, a estrela pode ter muito a nos inspirar nesta solenidade.
A Epifania é atualíssima a nossos tempos. A simbólica em torno da estrela também. A estrela possui luz própria. O seu brilho é causado por parte de sua energia lançada no espaço em forma de luz. A estrela que conduz os sábios magos do oriente é a mais pura figura de Cristo. Ele é a “vida e a Vida era a luz dos homens, e a luz resplandece nas trevas e as trevas não a compreenderam” (Jo 1, 3-4). O Cristo que hoje se manifesta a todos os povos, como na estrela em Belém, brilha sobre todas as possíveis trevas e sombras ainda persistentes no coração humano. O Profeta Is. na primeira leitura expressa está verdade com os seguintes termos: “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz (…) Eis que a terra está envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos, mas sobre ti apareceu o Senhor” (Is 60, 1-3).
No entanto a luz pura de Cristo brilha também sobre aqueles que se imaginam iluminados. Sobre tantos que por acharem que possuem “luz própria”, diante da luz purificadora e revestida de humildade de Cristo são ofuscados. Eis a atualidade da festa da Epifania. Pois vivemos em tempos em que muitos com a luz voltada somente para si, se tornaram tão auto referenciais, que não conseguem mais ver a luz. É uma forma de também viver em trevas. Pois vive-se a sombra de si mesmo. Voltado somente para si: A melhor imagem disto se encontra no evangelho de hoje. O rei Herodes é seu perfeito exemplar. Ao saber da chegada dos magos a Jerusalém para adorar o menino perturba-se ele e toda a Jerusalém.
Herodes sente-se ameaçado. Sua perturbação é sinal de realidades mais profundas e desencontradas em seu interior. Na realidade revelam que a luz que pensa possuir estando rei de Israel e subserviente ao Império Romano, diante do nascimento de um menino abala-se totalmente. Até o ponto de despertar a ira e cólera mais absurda daqueles tempos: “ Então Herodes vendo que havia sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que haviam em Belém “ (Mt 2, 16). Herodes pensando ser luz, se encontra na realidade nas trevas. A sua luz, vem do poder humano e não dos céus.
Na Epifania os magos nos apresentam uma história bem diferente. Notório para a tradição que eles simbolizam todos os povos da terra que agora vieram adorar o Senhor e que o salmo desta liturgia entoa: “Os reis de Társis e das ilhas hão de vir (…) hão de trazer-lhes oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-los e todas as nações hão de servi-los” (Sl 71, 10).
Mas os magos do ponto de vista existencial também nos ensinam muito nesta solenidade. Sabemos que eram na verdade sábios e estudiosos. E esta era na realidade a sua luz. Não a luz do poder de Herodes, mas a luz do saber. Do Logos divino, que os foi conduzindo até o encontro com o Senhor: “Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de revelar agora, pelo Espírito a nós, aos seus santos apóstolos e profetas” (Ef 3, 5).
A luz da sabedoria que os magos possuíam os levou até o lugar do nascimento de Cristo. E estando lá “ajoelharam-se diante dele e o adoraram” (Mt 2, 11). Dois gestos que não devem passar desapercebidos por nós. Gestos diferentes de Herodes. O rei, sente-se ameaçado e perturbado. Os magos simplesmente o adoram. São brilhos diferentes, pois vieram de fontes diferentes. A luz de Herodes era voltada sobre si. A luz dos sábios não, voltada para o Cristo. Os sábios não se sentiram ameaçados em sua sapiência, pois naquele momento encontravam a Verdade, na pessoa de Cristo. Por isso o humilde gesto de adoração.
Toda a luz que recebemos de Cristo neste Natal serve para realizarmos este gesto de : “ Ajoelharmo-nos diante dele e o adorarmos. Depois abrirmos os nossos cofres e corações e oferecermos a Ele nossos mais preciosos presentes” (Mt 2, 16).

 

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