“Sempre é tempo de construir pontes e superar abismos!!”

pedras_angulares_homem_rico_lazaro_584pxXXVI Domingo do Tempo comum

(Am 6, 1 a. 4-7, Sl 147; 1 Tm 6, 11-16; Lc 16, 19-31)

No domingo passado enquanto ouvíamos a parábola do administrador desonesto, que estava sob ameaça de perder seu emprego, por causa de sua má administração: “Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas de tua administração” (Lc 16, 2), antecipou para nós a parábola deste final de semana conhecida como: O rico opulento e o pobre Lázaro. Um texto contrastante onde aparece uma clara situação: O rico da parábola é sem dúvida um negativo exemplo que pode ser contraposto com o positivo exemplo do administrador astuto: O que pode acontecer com alguém que não se administra diante dos bens, no sentido evangélico?

A parábola deste domingo possui duas partes. Na primeira (vv 19-25), narra, a ruína de situação que virá na eternidade, como já Maria proclamou no Magnificat: “Dispersou os homens de coração orgulhoso, depôs os poderosos de seus tronos, cumulou de bens os famintos e despediu ricos de mãos vazias” (Lc 1, 51-53) e Jesus nas bem aventuranças: ” Felizes os pobres porque vosso é o Reino de Deus, felizes vos que agora tendes fome, porque sereis saciados” (Lc 6, 21), àqueles que se fecham a dor do sofredor: Na primeira leitura o profeta Amós nos adverte a este perigo que de algum modo incorremos: “ Ai dos que vivem despreocupados em Sião (…) os que dormem em camas de marfim, (…) que bebem vinhos em taças e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José” (Am 6, 1. 4. 6). A dura e clara exortação do profeta, se faz necessária a todos nós, que por vezes pensamos possível a vivência de um cristianismo “surdo” diante do sofrimento do outro. Por ai vai a mensagem do santo Evangelho deste domingo.

O evangelista caracteriza o rico com duas imagens: “se vestia com roupas finas e elegantes” (19), o sinal de sua riqueza, e: “dava festas esplêndidas todos os dias” (19b), o banquete como ideal de vida. De maneira contrastante segue a descrição de Lázaro que imediatamente nos recorda a figura de Jó: “um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava à porta da casa do rico (…) e além disso os cães vinham lamber suas feridas” (Lc 16, 20-21). Lázaro assim representa o pobre com toda a sua tragédia.

No entanto ao momento da ressurreição a situação transforma; o rico se encontra agora na região dos mortos, em uma região de tormentos: “Morreu também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos tormentos (…)” (Lc 16, 22). Ele não é punido por ser rico. Não é sua condição econômica que o pune ou condena, mas porque permaneceu indiferente as exigências de Deus e em consequência daquele seu próximo que tinha necessidades.

Suas palavras passam a ser agora de pura suplica: ele grita, pede piedade, têm sede e afirma estar sendo atormentado no fogo: “Então gritou, Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas” (Lc 16, 24). Cada palavra sua revela o grande drama humano e sublinha o grande contraste com a forma que administrou sua vida na terra. A resposta de Abraão conclui a primeira parte da parábola (25): Chamando o rico de filho, o reconhece como membro de sua descendência, mas este privilégio não serve aqui, para transformar o seu drama eterno!

Nos é necessário interpretar este versículo a luz do pensamento do evangelista; para são Lucas a figura do pobre e do rico comporta sempre um aspecto religioso e moral: estes são expressões de uma escolha diante de Deus que repercute diretamente no comportamento social: o problema não está no fato de ser rico, mas de como administrar segundo os critérios de Cristo esta condição. O mesmo vale para a pobreza: Em si mesma, não será ela que salvará, mas a partir desta difícil condição, viver uma abertura maior para o Senhor: “Olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1, 48).

Na segunda parte da parábola o argumento muda; o rico solicita o envio de Lázaro junto a seus irmãos ainda vivos na casa de seu Pai: “Pai Abrão te suplico: manda Lázaro à casa de meu Pai, tenho cinco irmãos (…) para que não venham também eles para este lugar de tormento” (Lc 16, 27). O objetivo do pedido da intercessão de Lázaro junto a seus irmãos é negada. Há um abismo agora! Não é possível mais fazer esta ponte. Com esta súplica nos ensina o rico que, devemos construir pontes entre nós. As condições econômicas não devem ser ocasiões de abismos entre os irmãos. E mais, do ponto de vista da salvação, os abismos que construo por aqui, serão repetidos no eterno. O tema é muito dramático, mas ao mesmo tempo esclarecedor: O rico continua insistindo na intercessão do pobre Lázaro: “Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter” (Lc 16, 30). Aqui um tema muito recorrente em nossos ambientes eclesiais. Pensar que um grande milagre, uma aparição, seja mais convincente que a escuta da Palavra de Deus. Os milagres com toda certeza podem muito impressionar, mas não necessariamente converter lá dentro do coração. Lá onde se encontra a grande ponte para Deus, ou a possibilidade de um grande abismo para Ele e os irmãos. Fiquemos com a reposta de Abraão: “Se não escutam a Moisés, nem aos profetas, eles não acreditaram, mesmo que alguém ressuscite dos mortos” (Lc 16, 31). Há sempre tempo de construir mais pontes e menos abismos!

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