“Nada está perdido para Deus”

received_10210454284142857XXIV Domingo do tempo Comum
(Ex 32, 7-11.13-14; 1 Tm 1, 12-17; Lc 15, 1-32)
Com o capítulo XV chegamos a metade do Evangelho de Lucas e também ao seu coração. Jesus se encontra novamente a mesa, agora não em companhia de fariseus, mas sim ao lado de pecadores e publicanos. Os fariseus são ainda presentes, mas como pessoas indignadas com a forma de Cristo se comportar: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles” (Lc, 15, 2). A introdução deste célebre capítulo de são Lucas põe em cena duas formas de recepção da mensagem cristã: de um lado os pecadores que se aproximam à mesa com o Senhor e de outro a ‘critica e a murmuração’ dos fariseus e escribas. Para estes assíduos observantes da lei, se deve evitar qualquer forma de proximidade com pecadores, isto é, com aqueles considerados “fora da lei”.
Será este o pano de fundo às 3 parábolas do Evangelho deste domingo. Nelas veremos um pastor, uma dona de casa e um Pai misericordioso, com um sentimento reciproco: a alegria com o encontro daquilo que estava perdido em nossa vida.
Na primeira parábola um homem perde uma de suas ovelhas. Era possuidor de outras 99, um rebanho considerável na palestina de Jesus. Contrariando a lógica da segurança por ter um rebanho garantido no seu aprisco, ele sai a procura daquela perdida. O que motiva aquele bom pastor, está no simples fato, de que aquela ovelha o pertence: “Ele nos fez e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho” (Sl 99, 3), e por isso: “vai atrás daquela que se perdeu até encontrá-la? Quando a encontra coloca-a nos ombros com alegria e, chegando em casa reúne os amigos e vizinhos e diz: Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida” (Lc 15, 4-5).
Antes de retornar a seu rebanho com a ovelha perdida, ele reúne amigos, vizinhos e compartilha de sua alegria. Esta alegria é o sinal de Deus neste evangelho que alegra-se com uma realidade antes perdida, mas que Nele é reencontrada.
A parábola da moeda perdida, tem descrição semelhante: Uma dona de casa antes possuidora de dez dracmas, ao perder uma, varre a casa, acende uma lâmpada e procura cuidadosamente até encontrá-la. Ao encontrar, compartilha sua imensa alegria com as amigas e vizinhas, por ter encontrado a moeda perdida. É uma imagem belíssima do cuidado de Deus por nós. Há muitas situações em nossa vida que ficaram perdidas, mal resolvidas. Há pessoas que perdemos, amigos queridos que se foram e são muito valiosos para cada um de nós. A moeda perdida simboliza isto, nossas perdas. Mas a procura e a alegria do encontro, é símbolo da misericórdia de Deus, que veio buscar o que estava perdido (Lc 19,10).
A terceira parábola deste evangelho é a famosa cena do Pai misericordioso. Aqui duas perdas saltam a nossos olhos. A primeira é a do filho mais jovem, que com o direito que lhe era dado, toma a parte de sua herança e sai para terras estrangeiras se exilando da comunhão que tinha com seu Pai. Nós bem sabemos o resultado e as consequências do exílio do filho mais novo: “ Ele gastou tudo (…) começou a passar privações (…) Ele queria matar a fome com as sobras que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava” (Lc 15, 14.16).
Todo nosso afastamento, desenraizamento, da casa, acaba por gerar, degradação. O filho mais novo, não deixou somente a casa exterior. Perdeu também a experiência de comunhão interna com o Pai. Quando nos auto exilamos de Deus, nos afastamos também de nossa casa existencial, de nossa interioridade, de nossa verdadeira casa, passamos a sentir as consequências desta livre escolha: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe” (Lc 15, 11).
No entanto a beleza da parábola não está somente na experiência de “perdição” do filho e sim no amor do Pai. O filho mais novo tem algo importante a nos ensinar. Perdeu tudo, “gastou tudo”, mas não sua filiação. Ela era maior e mais profunda que sua parte na herança material. Ele foi capaz de um grande gesto. Fazer o caminho da volta, da reconciliação, do retorno a sua casa: “Quantos empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, passando fome! Vou me embora procurar meu Pai e dizer-lhe: Pai pequei contra o céu e contra ti” (Lc 15, 16 ss). Não é fácil fazer o caminho de retorno, recomeçar de novo a querer ser Filho, se deixar amar e cuidar por Deus. O filho mais novo, realizou isto, por que conhecia a misericórdia de seu Pai.
A outra perda da parábola é a do filho mais velho. Ela não é menos importante. É muito sutil, mas não menos degradante. Ela é a perda do sentido amor e da gratuidade. A sua reação de inveja e raiva contra a misericórdia do Pai, revela que mesmo estando sempre em casa : “ Eu trabalho para ti a tantos anos” (Lc 15, 29), ele não amava, apenas obedecia : “jamais desobedeci uma ordem tua, e tu nunca me destes um cabrito para eu festejar com meus amigos” (Lc 15, 29). Há em cada um de nós, este filho mais velho. Que mesmo em casa, mesmo obedecendo a lei de Deus, esquece de amar, e esquecendo de amar, ofusca a gratuidade de nosso Deus que: “ era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado” (Lc 15, 32).
Hoje a palavra de Deus nos convida a olhar para dentro de nós e procurar aquela ovelha perdida, aquela pequena moeda, aquele filho, que apontam perdas significativas em nossa vida e deixar que nosso Deus saia e corra atrás até encontra-las!!

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