“Se alguém vem a mim, mas não se desapega”

madre-teresa-sXXIII Domingo Comum

(Sb 9, 13-18; Sl 89; Fl 9b, 10-12.17; Lc 14, 25-33)

O desapego é um exercício bem exigente para nossa geração. Hoje somos todos muito apegados, a smartphones, a redes sociais, a bens materiais, a ideias e projetos pessoais e também a pessoas. Ninguém deve se isolar se alienar da realidade, mas à ninguém é aconselhado um apego exagerado por qualquer situação que se apresente na vida. Tarefa nada simples para a cultura destes nossos tempos. É até interessante recordar que a palavra “cultura”, lembra: “cultus”, isto é, uma espécie de devoção, de sentimento religioso que ambienta toda a cultura. E está bem sabemos que não recai sobre o desapego, a renúncia, mas no seu polo contrário.

Mas qual será então a resposta para este cenário em que estamos inseridos? Melhor, qual a resposta cristã para este contexto? A resposta é o amor. O amor é a antítese dos nossos apegos. O amor equilibra nossos afetos. Quem ama não domina e não se deixa dominar, quem cresce no amor, não se apega, pelo contrário, é capaz de renunciar, perder, até a própria vida, pelo Amor: “aquele que ama sua vida, a perderá, mas aquele que odeia a sua vida neste mundo a preservará para a vida eterna” (Jo 12, 25). É deste paradoxo do amor de “perder para ganhar”, que vive e se encontra o cristianismo.

No evangelho deste final de semana Jesus diz a seus discípulos enquanto se encaminham para Jerusalém: “Se alguém vem a mim mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e irmãs e até de sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26).

A porta estreita do discipulado encontra neste texto uma de suas mais significativas exigências: Vir a Ele, caminhar na sua estrada, requer o desapego daqueles que me são mais próximos afetivamente: nossos familiares. Mas o que Jesus, quer dizer afinal com este desapego dos meus próximos? Quereria Jesus, que de agora em diante como um cristão, meus familiares ficassem no passado e abandonados de meus afetos, em um ilusório anonimato de minha memória, e aos poucos os iria esquecendo e apagando do coração toda uma profunda ligação que a núcleo familiar nos dá? Óbvio que não! A resposta a esta exigência cristã, é novamente o amor!!

A palavra “desapego” aqui é singular. E a análise do termo pode colaborar à nossa meditação: Algumas traduções usam a seguinte frase: Se alguém vem a mim, mas não odeia (…). O verbo odiar, em grego: misei, misei, recebe no contexto judaico o sentido de “amar menos”. E por quê? Porque no contexto hebraico o amor maior deve ser dado somente a Deus: “Ouve ó Israel, o Senhor nosso Deus, é o único Senhor! Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças, que estas palavras estejam em teu coração” (Dt 6, 4-5).

Jesus não quer nenhuma ilusão da parte de seus discípulos. No início do evangelho o texto diz que: “grandes multidões o acompanhavam, voltando-se lhes disse” (Lc 14, 25). Há uma dimensão coletiva no seguimento de Cristo e isto é muito importante, mas não basta apenas euforia das multidões. É preciso no seguimento a Cristo uma boa dose de singularidade, um Eu e tu, uma sadia individualidade entre o discípulo e o Senhor e isto se expressa na atitude de voltar-se aos seus e perguntar: “se alguém me quer seguir”.

A parábola da construção da torre nos ajuda a perceber esta dimensão pessoal e dispendiosa que deve ter o seguimento a Cristo.  Ele é sério, pessoal e exigente como uma construção. A parábola recorda também da construção que Deus quer fazer em cada um de nós. “Será que sentamos primeiro e calculamos os gastos para ver se temos o suficiente para terminar?” (Lc 14, 28). Será que estamos dispostos a profundos desapegos no seguimento de Cristo? A torre espiritual que o Senhor quer construir em nós não tem nos pedido, renuncia, gratidão e confiança no Senhor?

Sejamos generosos e sempre gratuitos com aquele que o foi por nós!!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s