“Ir além dos nossos círculos e projetos pessoais

 

 

 

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XXII Domingo tempo comum

( Eclo. 3, 19-21.30-31; Sl 67; Hb 12, 18, 19.22-24; Lc 14, 1.7-14)

O Evangelho nos convida para irmos sempre além de nós mesmos, dos círculos fechados onde encontram-se amigos, projetos pessoais, espiritualidades, realidades que boas em si, não devem encerrar o que o Reino dos céus quer nos oferecer. Devemos pensar que o horizonte circunscrito pelo Reino é bem mais amplo e pleno que nossa visão pode alcançar e tocar. Na segunda leitura de hoje o autor de Hebreus expressa muito bem isto: “Vós não vos aproximastes de uma realidade palpável (…) vos aproximastes do monte Sião e da cidade de Deus(…) cujos nomes estão escritos no céu (…) de Jesus mediador da nova aliança” (Hb 12, 18.22.24).

Na nova Aliança da qual Cristo é o mediador, participam muitos outros nomes, “uma reunião festiva de milhões de anjos; da assembleia dos primogênitos” (Hb 12, 23), acolhidos pela misericórdia de Deus.

No Evangelho deste final de semana, Jesus é convidado para cear na casa do chefe dos fariseus no sábado. Não são poucas as informações contidas nesta frase: Jesus começa saindo da “zona de conforto” de seu convívio amigável ao lado de seus discípulos e vai à casa do chefe dos fariseus.  A distância espacial que havia entre eles não era grande, os fariseus viviam nas mesmas cidades onde Jesus caminhava com os discípulos. No entanto havia uma séria distância existencial entre ambos e esta era bem maior. Mas o Senhor a supera, pois Ele é mediador de uma nova aliança (Hb 12, 24) e por isso quer unir diferenças existentes, preconceitos e condenações levianas que nada ajudavam.

Trazemos em nós também estas separações e distanciamentos. Ainda me impressiona termos de conviver com preconceitos e condenações dentro da Igreja: movimentos que criticam pastorais, pastorais que não aceitam a contribuição na evangelização dos movimentos eclesiais, todos muito próximos (na mesma Igreja), mas interiormente distantes, fechados em seus círculos fechados!

A primeira leitura desta liturgia nos traz uma profunda meditação sobre a humildade. Exercitar este valor humano seria um bom remédio para superar as divisões que o orgulho têm semeado em nosso meio: “Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende” (Eclo 3, 30). A humildade é um dom exigente a ser integrado na vida. Ela não pode faltar a qualquer missão evangelizadora, a qualquer brilhante carisma ou talento que aparecem de tempos em tempos no cenário eclesial. Ela é como um adubo natural e espiritual que pode arrancar de nosso interior qualquer plantinha de orgulho e fechamento que exista em nós. Maria, a mãe do Senhor, entoou seu cântico: “Dispersou os soberbos de coração e elevou os humildes” (Lc 1, 51-52). O autor do Eclo; afirma:” na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade (…) muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios” (Eclo. 3, 20).

Voltemos ao Evangelho, pois nos exorta à humildade. O cenário do texto se passa em um banquete. O enfoque é muito “lucano”, a ceia, o banquete, são temas gregos e judaicos. Lucas orienta sua pregação a estas duas culturas. Aqui as coisas se passão na casa do chefe dos fariseus. Ele observa que os convidados tomam os primeiros lugares e conta uma parábola. Nos banquetes antigos, haviam lugares reservados para pessoas notáveis na sociedade. No entanto na parábola narrada pelo Senhor, a ceia, torna-se uma festa de casamento. Ela recorda claro, o Reino, o matrimônio que existe entre Deus e os homens. A nova aliança da qual Cristo é mediador e esposo, e anfitrião desta festa. A condição social ou cultural, como no mundo helênico e judaico não garante os primeiros lugares. Àqueles considerados os últimos são convidados a virem mais para cima (Lc 14, 10), pois “quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Lc 14, 11).

Também o círculo de convidados no sublime banquete do reino é bem mais amplo. Os convidados a este matrimonio com o Senhor, não serão apenas os participantes de nosso ambiente social: amigos, irmãos, parentes, vizinhos ricos (Lc 14, 12). Estes são os nossos primeiros! Mas existem também aqueles últimos em nossa lista de afetos. Eles estão perto espacialmente de nós. “Cruzamos” todos os dias por eles, nas ruas, nas calçadas, ao relento, em frente as nossas Igrejas. No entanto continuam longe de “dentro” de nós. Perto dos olhos e longe ainda de nosso coração. Eles, últimos no mundo serão os primeiros no Reino.

Reinscrevamos nosso círculo de afetos e alcancemos o desejo de Deus!

O Evangelho nos convida para irmos sempre além de nós mesmos, dos círculos fechados onde encontram-se amigos, projetos pessoais, espiritualidades, realidades que boas em si, não devem encerrar o que o Reino dos céus quer nos oferecer. Devemos pensar que o horizonte circunscrito pelo Reino é bem mais amplo e pleno que nossa visão pode alcançar e tocar. Na segunda leitura de hoje o autor de Hebreus expressa muito bem isto: “Vós não vos aproximastes de uma realidade palpável (…) vos aproximastes do monte Sião e da cidade de Deus(…) cujos nomes estão escritos no céu (…) de Jesus mediador da nova aliança” (Hb 12, 18.22.24).

Na nova Aliança da qual Cristo é o mediador, participam muitos outros nomes, “uma reunião festiva de milhões de anjos; da assembleia dos primogênitos” (Hb 12, 23), acolhidos pela misericórdia de Deus.

No Evangelho deste final de semana, Jesus é convidado para cear na casa do chefe dos fariseus no sábado. Não são poucas as informações contidas nesta frase: Jesus começa saindo da “zona de conforto” de seu convívio amigável ao lado de seus discípulos e vai à casa do chefe dos fariseus.  A distância espacial que havia entre eles não era grande, os fariseus viviam nas mesmas cidades onde Jesus caminhava com os discípulos. No entanto havia uma séria distância existencial entre ambos e esta era bem maior. Mas o Senhor a supera, pois Ele é mediador de uma nova aliança (Hb 12, 24) e por isso quer unir diferenças existentes, preconceitos e condenações levianas que nada ajudavam.

Trazemos em nós também estas separações e distanciamentos. Ainda me impressiona termos de conviver com preconceitos e condenações dentro da Igreja: movimentos que criticam pastorais, pastorais que não aceitam a contribuição na evangelização dos movimentos eclesiais, todos muito próximos (na mesma Igreja), mas interiormente distantes, fechados em seus círculos fechados!

A primeira leitura desta liturgia nos traz uma profunda meditação sobre a humildade. Exercitar este valor humano seria um bom remédio para superar as divisões que o orgulho têm semeado em nosso meio: “Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele, e ele não compreende” (Eclo 3, 30). A humildade é um dom exigente a ser integrado na vida. Ela não pode faltar a qualquer missão evangelizadora, a qualquer brilhante carisma ou talento que aparecem de tempos em tempos no cenário eclesial. Ela é como um adubo natural e espiritual que pode arrancar de nosso interior qualquer plantinha de orgulho e fechamento que exista em nós. Maria, a mãe do Senhor, entoou seu cântico: “Dispersou os soberbos de coração e elevou os humildes” (Lc 1, 51-52). O autor do Eclo; afirma:” na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade (…) muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios” (Eclo. 3, 20).

Voltemos ao Evangelho, pois nos exorta à humildade. O cenário do texto se passa em um banquete. O enfoque é muito “lucano”, a ceia, o banquete, são temas gregos e judaicos. Lucas orienta sua pregação a estas duas culturas. Aqui as coisas se passão na casa do chefe dos fariseus. Ele observa que os convidados tomam os primeiros lugares e conta uma parábola. Nos banquetes antigos, haviam lugares reservados para pessoas notáveis na sociedade. No entanto na parábola narrada pelo Senhor, a ceia, torna-se uma festa de casamento. Ela recorda claro, o Reino, o matrimônio que existe entre Deus e os homens. A nova aliança da qual Cristo é mediador e esposo, e anfitrião desta festa. A condição social ou cultural, como no mundo helênico e judaico não garante os primeiros lugares. Àqueles considerados os últimos são convidados a virem mais para cima (Lc 14, 10), pois “quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Lc 14, 11).

Também o círculo de convidados no sublime banquete do reino é bem mais amplo. Os convidados a este matrimonio com o Senhor, não serão apenas os participantes de nosso ambiente social: amigos, irmãos, parentes, vizinhos ricos (Lc 14, 12). Estes são os nossos primeiros! Mas existem também aqueles últimos em nossa lista de afetos. Eles estão perto espacialmente de nós. “Cruzamos” todos os dias por eles, nas ruas, nas calçadas, ao relento, em frente as nossas Igrejas. No entanto continuam longe de “dentro” de nós. Perto dos olhos e longe ainda de nosso coração. Eles, últimos no mundo serão os primeiros no Reino.

Reinscrevamos nosso círculo de afetos e alcancemos o desejo de Deus!

 

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“Uma mulher sem sombras”

 

Assunta-di-Tiziano-Vecellio

Assunção de Nossa Senhora

Uma mulher sem sombras

O sinal do livro do Apocalipse impressiona por sua força: “apareceu um grande sinal no céu, uma mulher vestida de sol” (Ap 12,1). Assim o autor apresenta esta mulher na visão de João. Plenamente iluminada, sem sombras que possam ofuscar a luz que incide sobre ela. Difícil imaginar um ser humano assim, sem nenhuma sombra, sem qualquer mancha, sem a mínima realidade do pecado, com plena liberdade diante de Deus. Difícil para nós, mas não para Deus, aliás à quem nada é impossível (Lc 1, 37): Deus escolheu a mulher, vestida de Sol, para que brilhasse sobre toda o gênero humano a luz antes perdida no pecado: “Como por efeito por um homem veio a morte e é por um homem que vem a ressurreição de todos, como em Adão todos morrerão, em Cristo todos reviverão” (1 Cor, 15, 20-21).

Mas que luz é esta que reveste a mulher do Apocalipse? O prólogo do Evangelho de são João afirma: “a vida era a luz dos homens e a luz brilha nas trevas e as trevas não a aprenderam” (Jo 1, 5). Esta luz pode ser comparada a outro importante tema joanino, a Glória: “E o Verbo de Deus se fez carne e nós vimos sua glória” (Jo 1, 14). Luz e glória se complementam diante da mulher do Apocalipse que a recebe como um sinal no céu: “abriu-se o templo de Deus que está no céu e apareceu no templo a arca da aliança”.

Santo Irineu de Lion na metade do II século também se aproximou dos temas da luz e da glória. Para ele, a glória era o homem vivo, visto integralmente, nas suas dimensões corpórea e espiritual. A luz que brilha nas trevas, é a mesma luz que veste com os raios de sol a mulher do Apocalipse: o mistério da encarnação do Verbo no seio de Maria.

No final de semana celebramos a Assunção de Maria. É uma belíssima solenidade. A Igreja toda eleva os olhos para mãe do Senhor que sobe aos céus como primícias daquilo que todo gênero humano espera. A festa da Assunção é este modelo, figura daquilo que também todos aguardamos, mas claro com diferenças e semelhanças. E onde se encontram estas diferenças e semelhanças as entre o destino de Maria e o nosso? Exatamente na luz que incide sobre ela e na luz incidente sobre cada um de nós. Sobre ela é uma luz sem sombras, sobre nós não! Sobre nós esta luz não é tão plena, radiante, sem mancha alguma, pois o pecado do primeiro homem, deixou em nós as suas sombras. Recebemos esta herança, as sombras, não trevas, pois “a luz brilha nas trevas” (Jo 1, 5). O fato do pecado ter ofuscado a luz e amizade intima original com Deus, não jogou a humanidade em um abismo de escuridão. O fato do pecado ter trazido sombras a esta primeira comunhão com Deus, não retirou de todos nós o direito salvífico de ver nossa casa iluminada novamente. De ver a glória de Deus brilhar no gênero humano de novo.

Eis aqui o mistério da solenidade que hoje celebramos: Dizer Assunção é pensar claro em subida. Aquela que foi assunta aos céus, é professar a elevação do corpo incorruptível de Maria aos céus. Mas de outra forma afirmar a palavra assunção, é pensar em algo que foi assumido: Assumpto, é subir, mas é também assumir. Se nossa diferença com Maria se encontra em sua Imaculada Conceição, a nossa semelhança se revela exatamente no que ela concebeu: Isabel afirma: “bendito o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar” (Lc 43-44). A imaculada concebe o imaculado (São Bernardo), e no Imaculado, em sua encarnação, está o que foi perdido em Adão e recapitulado em Cristo. A luz do sol sem sombras em Maria, ilumina desde seu ventre humano todas as sombras que a humanidade herdou de Adão. Na Assunção da mãe de Deus, fomos para sempre assumidos em Deus e a sua glória voltou a brilhar em cada um de nós.

Nos alegremos com esta solenidade. Nos alegremos até mesmo de nossas sombras: “Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor (…) Ó tu desperta, tu que dormes, e levanta-te do meio da morte que Cristo te iluminará” (Ef 5, 8. 14)

“Familia olhos fixos em Jesus”

13978365_10210192939049393_537634745_oXX Domingo Comum

(Jr 38, 4-6.8-10; Sl 39, Hb 12, 1-4; Lc 12, 1-4)

Neste final de semana a liturgia da Igreja nos fala de consequências singulares para aqueles que se aproximam de Cristo. O profeta Jeremias se usa de uma enigmática expressão a este respeito: “Assim como lhes provou pelo fogo, para lhes experimentar o coração (…) é antes para a vossa advertência que o Senhor açoita os que dele se aproximam” (Jr 8, 26-27).

Pode nos parecer uma contradição. Pode soar a nossos ouvidos um equívoco, um engano. Pode nos fazer crer que o Senhor ao nos chamar para sua vinha nos jogou numa “fria” em uma “canoa furada”, mas não é bem assim. Pensar o contrário sim seria grande ilusão! Antes tenhamos certeza de que o seguimento a Cristo é um caminho espiritual que cura-nos de ilusões e falsas imagens do cristianismo que as vezes estamos condicionados.

Na segunda leitura o autor da carta aos Hebreus mostra que o cristianismo é uma luta, uma batalha espiritual e moral: A imagem que usa é própria de seu tempo: “Rodeado que estamos por tamanha multidão de testemunhas (…) empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé” (Hb 12, 1-2). O cenário imaginário do autor é um stadium. Eram nestes magníficos lugares que no auge do Império Romano se davam as lutas entre os famosos gladiadores. Foram nestes mesmos lugares que muitos cristãos realizaram sua última batalha por Cristo, oferecendo suas vidas no martírio. E ela serve em muito para uma compreensão sem ilusões do seguimento de Cristo: O lembra como uma luta, onde no começo, as coisas pareceriam fáceis e sempre pacíficas, mas para que esta obra chegue ao cumprimento, nos é necessário a hora da cruz: “em vez da alegria que lhe foi proposta, sofreu a cruz, desprezando a vergonha, e se assentou a direita de Deus. Considerai pois aquele que suportou tal contradição” (Hb 12, 2-3).

O Evangelho deste domingo sinaliza esta contradição. Em um primeiro as palavras ressoam a nossos ouvidos com tonalidades de dureza e agressividade ao invés da promessa de mansidão e humildade antes encontradas em Cristo: “vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados pelo peso de vosso fardo (…) aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Enquanto Jesus no evangelho de hoje promete, fogo sobre a terra e divisão ao invés de paz!

Que sentidos teriam estas promessas de Jesus para o Reino? Estaria o Senhor negando o que afirmará anteriormente sobre a paz, a mansidão e a humildade? Não. O fogo e a divisão prometida por Cristo é parte essencial de uma outra dimensão do seguimento a Ele. O fogo lembra a purificação, recorda o batismo. Aponta para o significado da cruz. A cruz estabelece uma purificadora divisão, de certa forma, tomar a cruz de cada dia, implica renúncia a valores que estão fora do mistério do Reino de Deus. O fogo que Ele quer trazer: “e como gostaria que já estivesse aceso” (Lc 12, 49), lembra também o batismo no Espírito Santo: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Mt 3, 11). O cristianismo não é um mero estoicismo, onde decido moralmente o que fazer e como agir.  É uma pessoa. É preciso deixar que o fogo do Espírito que Cristo quer trazer, purifique em nossa vida aquilo que pensamos ser tesouros mas que na verdade são ilusões que “ladrões roubam e traças corroem” (Lc 12, 33). O fogo ajuda-nos a permanecer no essencial, mantendo os olhos fixos nele. (Hb 12, 2).

Neste final de semana recordamos também o dia dos Pais. A Palavra de Deus nos lembra que a divisão provocada pela cruz de Cristo chega até as relações familiares: “ Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas três ficarão divididas contra duas e duas contra três” (Lc 12, 52-53). Seria redundante reafirmar de nossa parte que Jesus quer e deseja a unidade entre as famílias e entre pais e filhos. A divisão que evangelho provoca se dirige a um certo comportamento atual de algumas famílias fechadas em si. A família cristã tem vocação para a abertura. A primeira delas é permitir que a semente do evangelho cresça e não seja sufocada no egoísmo e apego as riquezas. O ritual matrimonial apresenta uma belíssima exortação aos cônjuges na celebração matrimonial: “Sede testemunhas do amor de Deus no mundo, socorrendo os pobres e todos os que sofrem, para que vos recebam um dia, agradecidos na morada eterna de Deus”.

Sabemos que existem infindas situações que provocam divisões e rupturas nos laços familiares. O Evangelho do Senhor rejeita nega todas elas. Na verdade a palavra de Deus é como um fogo ‘que arde sem doer’ e purifica tudo aquilo que não faz parte do Reino de Deus! Deixamo-nos purificar, para permanecer na essência!

Bem aventurada a Esperança!

 

esperanca

XIX Domingo Comum

( Sb 18, 6-9, SL 32, Hb 11, 1-2. 8-12, Lc 12, 32-48)

Há um belo filme que precisa ser visto por muitos cristãos. Se chama “Little Boy”, ou “O Pequeno garoto”. Um filme com toques infanto-juvenis que faria bem a muitos adultos. Ele fala de um sentimento que as crianças cultivam e simbolizam: a esperança, e que nós adultos muito preocupados com os tesouros mundanos que as traças corroem, estamos esquecendo.

A história é a de um pequenino garoto que amava muito seu Pai. Em tudo se identificava com Ele. Até o momento em que vê o Pai, lhe ser tirado: Por ter sido convocado para uma missão na II grande Guerra. A história neste momento não vê tristezas. Ela se transforma em esperança. Uma esperança que nenhuma situação ou dificuldade retira do coração do filho. A espera do retorno do Pai.

Neste domingo a liturgia fala da Esperança. É uma das virtudes teologais ao lado da fé e da caridade. Porém esquecida por nós cristãos- adultos. Nós cristãos não podemos esmorecer na esperança. Um católico que esquece de pedir esta virtude em sua oração cotidiana, corre um sério risco de se transformar em um “murmurador” e “pessimista” em relação ao mundo e as coisas de Deus. É terrível. Talvez você já tenha se deparado com algum destes católicos por ai… No entanto em um saudável e verdadeiro cristianismo a desesperança não tem lugar. Ao contrário nós cristãos somos cidadãos do céu, do futuro da esperança.

O livro da Sabedoria recorda a libertação, a Páscoa judaica predita pelos patriarcas: “A noite da libertação fora predita a nossos pais(…). Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e como perdição para os inimigos” (Sb 9, 6-7). A Páscoa da libertação do Egito era esperada, havia sido prometida aos pais, que a conservavam intrépidos. Enquanto se dirigiam a ela (páscoa), muitas vezes se viram provados e tentados. Alguns sob o peso das provas murmuraram: “Então se pôs o povo contra Moisés e disse: Dá-nos água para beber. E Moisés lhe disse: Por que murmurais contra mim? Por que tentais contra o Senhor? (Ex 17, 1-2). Outros no entanto sofrendo os mesmos perigos e provas encontraram na oração e celebração uma forma de antecipar já aqui sua libertação: “Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios (…) fizeram este pacto divino(…) enquanto entoavam antecipadamente os cânticos de seus pais” (Sb 9, 9).

A esperança continua iluminando a liturgia deste domingo na segunda leitura: “A fé é um modo de já possuir o que se espera, a convicção acerca das realidades que não se vêem” (Hb 11, 1). As virtudes da fé e esperança são claro, concebidas como Graça de Deus, mas são também do ponto de vista humano, uma decisão. O autor fala de um “modo de já possuir o que se espera, uma convicção”. Ser esperançoso, positivo, alegre, é também um modo de ser, uma convicção. Isto está sempre conectado sobre o que nós realmente esperamos: Qual a esperança cristã real? O que nós esperamos na verdade? Hebreus fala que: “foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber onde ia” (Hb 11, 8) Nós cristãos sabemos o que nos espera. E esta expectativa na qual Cristo será tudo em todos (Col 2, 11), não permite pessimismos.

No evangelho a esperança é comparada a bem aventurança: “Felizes os empregados que o Senhor encontrar acordados quando chegar e bater” (Lc 12, 37). O contexto deste evangelho como no filme é o de espera e do retorno. Esperar nem sempre é fácil. Há muitos cristãos que se cansaram de esperar. Que cederam, desistiram da fé, diante do peso da espera e das provações: “Meu patrão está demorando, e começar a espancar os criados, e a comer, a beber e a embriagar-se” (Lc 12, 45). Quantos amigos na fé, ficaram pelo caminho… Quantos “murmuraram” dizendo: o Senhor está demorando….

Neste domingo, a liturgia continua nos convidando a esperança. Quando perdemos de vista esta virtude, quando cansamos desta virtude, a vida  cristã começa a correr riscos. Sejamos imagem do Evangelho de hoje: “Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas” (Lc 12, 35). Esta é a nossa grande esperança. Bem aventurados aqueles que esperam seu Senhor voltar!!!!